O tráfego intenso gera altos custos para a produção, o meio ambiente e a saúde
Foto: Mariana Cardoso
| Trânsito intenso na Marginal Tietê, zona norte de São Paulo |
A capital paulista, que detém, a maior frota do país, 6.759.227 veículos, de acordo com dados do Departamento de Trânsito (Detran) de Fevereiro de 2010, sofre com as conseqüências do tráfego intenso. Além das mortes, consome aproximadamente 10% do Produto Interno Bruto (PIB) municipal, segundo estimativa da Fundação Getúlio Vargas, devido aos gastos gerados com saúde pública, perda de produtividade, questões ambientais, sociais e logísticas.
A supervisora administrativa e coordenadora de qualidade da transportadora Translovato, Márcia Rebolo, diz que o custo do transporte de carga em São Paulo é maior se comparado a outras cidades devido a complexidade da infraestrutura necessária. “Preciso pulverizar a frota, trabalhar com uma quantidade maior de mão-de-obra e recursos.”Em Caxias do Sul (RS), por exemplo, onde se localiza a sede da transportadora, o motorista sai pela manhã, volta para almoçar na empresa, faz outras viagens à tarde e retorna às 19 horas. Enquanto que em São Paulo, o motorista inicia a jornada de trabalho mais cedo, fica na rua o dia todo e, ainda sim, chega entre 20 e 21 horas. Além do que, um motorista que realizava uma média de 30 entregas por dia, hoje não faz mais do que 15, segundo Márcia. Levando-se em consideração que o trabalho começa por volta das 6h, observa-se uma implicação direta na qualidade de vida.
De acordo com pesquisa divulgada em Novembro de 2009 pelo Jornal Nacional, o paulistano gasta em média 3 horas por dia no trânsito, o que influencia diretamente na produtividade das empresas. “Enquanto a pessoa está parada no trânsito a economia não está sendo movimentada.” Afirma o supervisor logístico da transportadora Gafor Logística, Reinaldo Rodrigues.
Rodrigues explica que enquanto um caminhão fica preso num engarrafamento aumenta o gasto da transportadora e ao mesmo tempo do destinatário da carga. “A empresa depende da entrega para dar continuidade à sua produção”, o que gera uma cadeia de impactos negativos na atividade econômica da cidade, que, enquanto maior metrópole do Brasil, consequentemente impacta na geração de riquezas do país.
O representante e consultor comercial da Verelux, empresa do ramo de envidraçamento de sacadas, Reinaldo Maçoni, atende em domicílio e há 5 anos abandonou o carro por medo da violência do trânsito paulistano. Usando o transporte público para trabalhar, Maçoni sempre conta com imprevistos. “Eu calculo tudo antes de sair de casa, já conto com acidentes, lentidão, chuva.” E complementa dizendo que só consegue cumprir os prazos devido a sua responsabilidade.
Além da dificuldade de atender a horários marcados, o tempo gasto no congestionamento poderia ser empregado na visita a um outro cliente, o que significa um aumento do salário para Maçoni, que ganha comissão por venda realizada.
Ainda segundo a pesquisa do JN, o alto custo do transporte público de São Paulo também está relacionado ao tráfego intenso, já que as empresas cobram de cada passageiro o gasto elevado que têm diariamente, o que representa R$0,14 por passagem. O usuário tem um custo anual de R$150 a mais para se locomover na cidade.
Quem tenta fugir do transporte público e prefere dispor de um valor ainda maior para desfrutar de algum conforto em um táxi, está sujeito a pagar 35% a mais pela tarifa no horário de pico em relação a outros períodos do dia.
Outras questões, não tão explícitas, mas não menos importante, são os danos ambientais, já que o PIB mede a geração de riquezas sem levar em consideração os prejuízos, como a poluição sonora e do ar produzida pelos veículos e a impermeabilização das vias que não permite a absorção das chuvas, o que provoca, somada a outros fatores, as enchentes e a diminuição das áreas verdes em detrimento da ampliação da malha viária.
* Este texto foi publicado no Jornal Expressão, número 20, produzido pelos alunos do 4MCSNJO, quarto ano de Jornalismo da USJT.
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