terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ciência se arrisca a explicar a subjetividade do amor

Outubro/2010
MARIANA CARDOSO

Culpa da dopamina, responsável pela sensação de atração, ou da serotonina, substância relacionada aos pensamentos obsessivos? O amor, sentimento sublime, força unificadora e harmonizadora, como compreendido desde a Grécia Antiga, é motivo de discussão eminente na atual sociedade. Será que a ciência pode explicá-lo?
   A assistente de comunicação do Ibope, Paola Nunes Dionizio, conta que o sentimento entre ela e seu namorado começou com uma atração, que gerou interesse, desejo de estarem próximos e cresceu até nascer o amor. “Sentir-se atraída é o passo inicial, então, você busca a compatibilidade naquele alguém que complete o que falta em você”, afirma Paola. Diz, ainda, que o companheirismo é uma palavra pequena para definir o amor, mas que conforme ele aumenta gera, entre outras consequências, a amizade.
  Para o grego Aristóteles, considerado o filósofo que mais influenciou o pensamento ocidental, o amor é, também, uma afeição que conduz à amizade. Embora subjetiva, a definição que dialoga com o que sentiu, não só Paola Nunes, mas milhares de pessoas ao redor do mundo, pode ser explicada cientificamente. Altos níveis de dopamina e norepinefrina são encontrados no estágio de euforia, envolvimento emocional e romance, manifestados por meio da atração, de acordo com o livro The Anatomy of Love, da antropóloga Helen Fisher.

   Chavões como “o amor é cego”, também encontram explicação na ciência. De acordo com pesquisas do Centro de Regulação Genômica de Barcelona, a região cerebral responsável pelo julgamento social e pela avaliação é desativada quando se ama. No entanto, nem todos os amantes concordam que basta amar, para que as particularidades da relação afetiva sejam superadas. “O amor precisa ser cuidado como uma plantinha, para que não enfraqueça e morra. Também não pode ser sufocado por ciúmes, é como abafar uma muda com um copo”, afirma Paola. Ao cruzar novamente a ciência e a sabedoria popular, observa-se que o indivíduo cria resistência às substâncias manifestadas inicialmente, então a sensação evolui para uma relação calma, duradoura e segura, quando entram em ação a ocitocina e vasopressina, ainda de acordo com The Anatomy of Love.
   O presbítero evangélico da Assembléia de Deus, Rodrigo Silva, que é categórico ao afirmar que não discorda da ciência, explica que as descobertas científicas sempre estarão em consonância com a Palavra de Deus e conceitua o surgimento do amor chamado de Eros. “Ele nasce por meio do conhecer um ao outro, com base nas semelhanças que ambos possuem, em observância com os planos de Deus”, diz Silva. Assim, observa-se que num ponto em que a razão e a emoção convergem, nasce a possibilidade de explicar experimentalmente particularidades humanas de um estado subjetivo, algo que, simplesmente, sentimos.

*Este texto foi publicado no Jornal Expressão, número 13, produzido pelos alunos do 4MCSNJO, quarto ano de Jornalismo da USJT.


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