MARIANA CARDOSO
A transformação da sociedade trouxe novas necessidades ao ser humano. No tocante à área urbana, avançou tecnologicamente, o que culminou numa vida atribulada, mais cheia de atividades, com menos tempo de sobra e apontou uma tendência nos grandes centros, o desenvolvimento do comércio 24 horas. Em São Paulo, esse nicho cresceu nos últimos anos, sobretudo, entre as redes de supermercado, lojas de conveniência e drogarias.
O economista-chefe da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solineo, explica que “quanto mais complexo o horário de trabalho das pessoas, mais o varejo procura diversificar os serviços para atendê-las”. E também diz que parte da população que tem uma carga horária diferenciada precisa desses estabelecimentos para suprir suas necessidades quando o “grosso” do comércio está fechado.A rede de drogarias Droga Raia, que determina por bairro e público as lojas 24 horas, lançou em 2000 o modelo de hiperfarmácia, que expandiu o setor de perfumaria e aumentou o horário de funcionamento. Segundo o gerente adjunto da rede, Jorge Brito, durante a madrugada as pessoas procuram serviços emergenciais, como curativos, aplicação de injeções e medicamentos para consumo imediato, não são clientes freqüentes da loja. “O serviço é essencial”, afirma Brito, que complementa dizendo que o período entre as 23 horas e 7 horas representa de 8% a 10% das vendas.
Fenômeno relativamente recente, surgidas no fim da década de 80, as lojas de conveniência somam mais de 3,5 mil lojas em todo o país. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Sinergia, traçou o perfil de freqüentadores desse tipo de comércio que adentra a madrugada, caracterizando a maioria como sendo homens entre 25 e 34 anos, integrantes da classe alta. Ainda identificou que gastam, em média, R$ 10,00, e ficam na loja em torno de 15 minutos.
O analista de telecomunicações, Paulo Roberto Vieira, de 26 anos, costuma consumir bebidas, doces e salgados em lojas de conveniência de sexta-feira a domingo, antes ou depois de sair para se divertir. “Não é um consumo diário, então, embora os preços sejam altos, compensa. Quando paro para abastecer o carro, aproveito.”
O crescimento dos número de consumidores que buscam comodismo, facilidade, atendimento rápido, qualidade ou diversidade após o horário regular tem levado empresas como o Grupo Pão de Açúcar a se interessar pelo segmento. Nos próximos 3 anos o grupo deve investir R$ 5 bilhões em postos de combustível e conveniência, segundo o Diário Comércio Indústria e Serviços (DCI).
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